quinta-feira, 25 de março de 2010

Relembrando o maior incêndio da história de Campinas

por Udo Fiorini
Imagens: http://pro-memoria-de-campinas-sp.blogspot.com/2007/10/curiosidades-hiperrmercado-eldorado.html

Era quarta feira, 24 de Dezembro de 1986, vespera de Natal. Eu morava no Jardim Nova Europa, em Campinas, e logo cedo fui de carro para Paulínia buscar os sobrinhos para passarem o dia em nossa casa. Na época a Senador Saraiva tinha duas mãos de direção, a rótula no trânsito de Campinas não estava vigorando ainda. Por isto o meu caminho passava pelo centro, o movimento dos carros não era tão confuso como está agora.
Passei próximo ao Supermercado Eldorado, e fui atraído pelo agito formado por causa do incêndio. Neste momento, creio que não era mais do que 07:00 da manhã, o fogo estava mais restrito à parte direita do prédio. O fato do fogo não estar no setor de compras, concentrado apenas neste pequeno prédio administrativo, me fez avaliar que logo tudo estaria bem. Observei isto parando um pouco para ver os acontecimentos, posicionado em uma das ruas laterais, distante mais ou menos um quarteirão do supermercado. Eu conhecia bem o Eldorado, era o meu lugar de compras costumeiro. Até gostava de comprar lá a feijoada para a família, nos sábados.

Qual não foi a minha surpresa ao mais tarde ouvir na rádio que havia mortos, e que o incêndio tinha tomado conta de todo o supermercado. Durante o dia, só se falava neste incêndio. A televisão passava boletins a nível nacional. No final, o prédio inteiro estava destruído. De manhã tudo parecia tão calmo, alguns bombeiros jogando água no predinho, com o galpão intacto. E mais tarde, aquela destruição toda. Eu não conseguia entender. Destruição tão grande que o Supermercado Eldorado acabou ali. Nunca mais foi aberto, mudaram para São Paulo.

Eu me perguntava sempre como era possível isto. Eu conhecia relativamente bem o Aeroporto de Viracopos, cheguei a viajar para o exterior a partir dele, antes deste incêndio. Sabia que eles tinham carros de bombeiros capazes de, por exemplo, rapidamente jogar espuma na pista para auxiliar no pouso de um avião com problemas de baixar o trem de pouso. Ter de descer “de barriga” como se dizia. Porque não haviam deslocado este caminhão para Campinas, no dia do incêndio? Se o supermercado fosse inundado de espuma, imaginava eu, estragariam alguns produtos ali comercializados, mas com certeza o fogo seria imediatamente contido, e o prédio, salvo. Não entendia isto.

Um dia, tempos depois, não lembro data e nem com quem foi, vindo de São Paulo, dei carona a um bombeiro na Via Anhanguera. No meio da conversa, procurando assunto, comentei com ele esta minha visão dos fatos, sobre o incêndio do Supermercado Eldorado, em Campinas. Qual não foi a minha surpresa quando ele chegou a colocar o dedo sobre os seus lábios, dizendo algo como “melhor você não comentar isto por aí”, mudando imediatamente de assunto.

Continuo não entendendo.

4 comentários:

  1. CARA EU ESTAVA ESSE DIA COM MINHA MAE QUANDO ELDORADO PEGOU FOGO EU TINHA 13 ANOS DE IDADE DEU MUITA TRISTEZA AQUELE DIA POXA...

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  2. http://www.orkut.com.br/Main#AlbumZoom?uid=2534390497403735320&pid=1295574709737&aid=1295548026$pid=1295573495532

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  3. Falaram pros portugueses proprietários pra fazerem queima de estoque...era piada da época.

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  4. Eu morava no Jd. Eulina, na rua Milton Campos. De lá viamos a fumaça preta e densa, sem saber do que se tratava. Demorou um pouco mais do que hoje para a notícia correta chegar.

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