
Por Udo Fiorini
Imagens: divulgação
A principio, o homem, quando ainda vivia como nômade, fugia do fogo, por medo e sem ter a necessidade de enfrentá-lo. Mais tarde, já fixado à terra, a necessidade de dominar o fogo fez o homem combater o fogo quando este o ameaçasse. A história nos mostra que grandes incêndios marcaram civilizações. E estes incêndios criaram a necessidade de criar sistemas para fazer frente aos estragos causados pelo fogo. Foi assim que nasceu o Corpo de Bombeiros.Os primeiros indícios de sua existência vem dos gregos, que haviam criado sentinelas noturnos, que faziam vigilância e faziam soar alarme em caso de incêndio. Estes serviços também estavam sendo utilizados nas cidades romanas, que começaram com este serviço depois que Roma foi devastada por um grande incêndio no ano 22 a. C. O imperador César Augusto decidiu depois deste acontecimento pela criação do que seria o primeiro Corpo de Bombeiros, chamados então de “vigiles”. Este serviço existiu até a queda do Império Romano, em 476 d. C.
Ao longo do tempo, o Corpo de Bombeiros evoluiu muito pouco. Na Idade Média, o incêndio nas cidades era considerado como inevitável, dados os materiais empregados na construção covil basicamente madeira, de fácil combustão. As ferramentas empregadas pelos bombeiros no século XVII se limitavam a machados, baldes, enxadas. Nos países mais evoluídos surgiram rudimentares equipamentos hidráulicos, capazes de encher baldes a partir de poços de água. Estes baldes por sua vez eram passados de mão em mão até o incêndio. No século XVIII é inventada a “bomba de incêndio” iniciando assim um novo capitulo no combate a incêndios. Tratava-se de mangueiras de couro de aproximadamente 15 metros de comprimento, com conexões em bronze. Este sistema substitui a utilização dos baldes, com a vantagem de lançar jatos de água à distância, impossível com o sistema antigo.
O surgimento destes equipamentos de ataque à incêndios fez surgir em Paris, na França, o primeiro Corpo de Bombeiros organizado, uniformizado e pago pelo estado. “Era chamado de Companhia dos Sessenta Guarda Bombas”. Seu sucesso fez com que em pouco tempo o exemplo fosse seguido pelas principais cidades européias, que também passaram a implantar o sistema. Os bombeiros então recrutados eram organizados militarmente, podendo ser remunerados pelo estado ou operar como trabalho voluntário. Os voluntários não recebiam pagamento, e trabalhavam somente quando ocorria um incêndio. Em geral era este o sistema empregado em cidades menores, motivado pela falta de recursos e por causa da menor freqüência de incêndios.
No Brasil, há inúmeros registros de incêndios que causaram grandes problemas às comunidades, tal como em 1732, quando foi destruído parcialmente o Mosteiro de São bento, no Rio de Janeiro. Em 1789 um incêndio destruiu totalmente o Recolhimento da Nossa Senhora do Porto, também no Rio de Janeiro. Por conta disto, em 12 de Agosto 1797 foi designado que o Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro, em função de sua experiência em lidar com incêndios em embarcações marítimas, fosse o órgão responsável para combate ao fogo na cidade. Este é o primeiro registro da criação de um Corpo de Bombeiros em nosso país.
Somente em 30 de Abril de 1860, Dom Pedro II, com o decreto 2857, criou definitivamente o Corpo Provisório de Bombeiros da Corte. O uniforme utilizado pelos bombeiros no inicio foi criação pela esposa de D. Pedro, Princesa Tereza Cristina Maria de Bourbon. Em 1865 esta guarnição recebeu sua primeira bomba a vapor, que tanto podia ser transportada em terra, necessitando para isto da força de 20 homens, como podia ser embarcada em barco para utilização no mar. Em 1872, foi recebida a segunda bomba. Em 1879, foi criado um sistema de linhas telefônicas para avisos de incêndios, ligada à Estação Central dos Bombeiros. Em 1880 foi finalmente concedido aos bombeiros a graduação militar, antes inexistente.

Em Campinas, o Centro de Memória da Unicamp apresenta o registro de que em portaria de 23 de Janeiro de 1900, o intendente municipal Major Joaquim Ulisses Sarmento determinou a efetivação de um destacamento denominado Corpo Municipal de Campinas, responsável por extinção de incêndios e salvamento de vidas. Antes desta data, esta atividade era exercida por funcionários da Câmara Municipal, por populares, por escravos enviados ao local do sinistro por seus patrões. Para combate aos incêndios estas pessoas tinham todo o material então necessário: barris com água montados em carroças, mangueiras de couro, baldes, latas, escadas e uma bomba manual. Em caso de fogo, os sinos da antiga Matriz Velha badalavam ininterruptamente, alertando os moradores da cidade. Em 1912 a Corporação Municipal de Bombeiros foi reorganizada, passando a ter seu próprio regulamento. Na década de 30 foram adquiridos os primeiros automóveis. Em 1963 foi encerrada a subordinação ao Poder Municipal, quando foi firmado um convênio com o governo do estado, que prevalece até hoje, passando a denominar-se 7º Grupamento do Corpo de Bombeiros de Campinas.